terça-feira, 19 de junho de 2012

Sobre como sempre sonhei com você.

É estranho pensar que o meu histórico familiar poderia ter sido o maior empecilho para eu cogitar ser mãe. Meu subconsciente poderia ter gritado simplesmente: "Deixa de ser besta! Vai tentar ter filho pra que?! Viu que a tua genética não é favorável ao sentimento de maternidade?"
Pois é! Não tive minha mãe biológica por perto por opção dela. Meu pai me criou sozinho por muito tempo. Até que Deus quis que eu soubesse o que é ser mãe pela minha madrasta. Sim, minha filha. Aquela que você chamará carinhosamente de vovó Irene, é minha madrasta (Conselho nº1 - não confie em tudo que os contos de fada narram).
Minha madrasta, a qual por um bom tempo chamei de tia e que logo ganhou o meu coração, foi quem me ensinou o que era mãe. Pelos afagos, carinhos, puxões de orelha, lições de moral, proteção... pelos nossos segredos compartilhados, pela segurança mútua que sentimos uma com a outra... nisso tudo vi a mãe que eu sempre quis ter e a mãe que eu desejava ser.
Toda menina já é criada para carregar uma boneca como se seu filho fosse. Mas eu não tive tanto acesso a bonecas, nem incentivo a maternidade, afinal os pais não gostam nem de pensar nisso para suas filhas.
Mas acho que foi no momento em que tive uma mãe que percebi que queria ser igual, queria imitar aquela situação. E ainda contava com aquela profunda mágoa do passado: Eu queria ser igual à MINHA MÃE e fazer tudo diferente do que a minha mãe biológica fez.
Enfim! Passei a te desejar!
Lembro que aos meus 16 anos, antes mesmo de ir para a faculdade, amigas minhas estavam juntando os trapinhos com seus namorados (isso acontece naturalmente na cidade de onde eu vim - assunto para outra conversa) e eu pensava mais em ter um filho do que propriamente em casar.
Ao estar na faculdade, sonhava em ter meu primeiro filho ou filha aos 24 anos, coincidindo com a formatura mesmo, porque assim eu poderia ter ao menos 4 filhos até os 30 anos - um filho a cada dois anos. Meu sonho...
E amores vieram, amores foram... Até que aos 22 anos eu conheci o seu pai (como o conheci é história para um papo só nosso) e ele virou o meu parceiro de sonho. Dia desses li cartas que trocamos e sempre havia algo sobre você, nossa primeira filha.
Você não era mais um sonho só meu, era um sonho nosso.
Casamos quando eu tinha 24 anos e seu pai tinha 25, podia ter logo dado início à execução do plano de te ter, mas queríamos te ter com conforto. Queríamos que você tivesse tudo o que não  tivemos.
Trabalhamos, juntamos dinheiro, trabalhamos mais. E você era sempre o nosso projeto maior. Lutávamos para ter você.
Muita gente já cobrava a chegada de um filho nosso, diziam que estávamos passando da idade, que depois ficaria mais difícil... Pessoas que costumam tirar as próprias conclusões sem nem ao menos se preocupar em saber o que se passa no coração alheio (Conselho nº 2 - seja diferente de mim e não se importe com que esse tipo de gente fala. Faça-se de surda.).
Até que no início de 2010 resolvemos dar início ao "projeto baby".
Não contamos pra muita gente, para não fazer alarde, apenas para alguns amigos muito próximos.
Nenhuma prevenção e muitas tentativas. Engordei, tive espinhas, meu ovário voltou a apresentar policistos, minha autoestima (que nunca foi lá uma maravilha) ficou negativa, briguei muito com o seu pai (coitado), quis me separar dele, comecei a dirigir (mais um assunto para uma outra conversa), quis pedir demissão do emprego...
Qualquer mísero dia de atraso na menstruação era suficiente para eu desconfiar de uma suposta gravidez. Cogitei até mesmo de fazer estoque de teste de farmácia, porque era o que eu mais consumia - rs. E que tristeza quando o resultado dava negativo ou quando a menstruação descia...
Foram 2 longos anos!
Longos e cansativos e estressantes.
Estava tudo um inferno! Essa é a única palavra cabível para aquela situação. Eu queria morrer ou matar.
E ainda continuava a te desejar. Eu precisava de uma razão pra viver.
Procuramos vários médicos e ao fim já estávamos começando um acompanhamento com uma especialista em reprodução humana. A coisa estava tensa!
Em setembro de 2011 precisei interromper todos os exames marcados (e toda a minha vida) depois de ter quebrado a perna, num acidente doméstico muito idiota. Considero hoje que a queda da escada de casa foi um sinal de que eu estava seguindo o caminho errado, que havia uma forma diferente de alcançar os meus objetivos. Foi o jeito que Deus deu de me fazer parar, descansar e começar tudo de novo.
Passei mais de 2 meses entre cadeira de rodas e muletas. E éramos só eu e seu pai . Só ele cuidando de mim, com uma dedicação tamanha. Foi mais uma das grandes provas do amor dele por mim. (Demos sorte, Ceci! Seu pai vale ouro)
Voltei a andar já em dezembro e uma das primeiras coisas que fiz foi remarcar todos os exames e a consulta com a médica.
Fui exonerada do cargo que eu exercia, passei a cuidar só do seu pai, da nossa casa e do nosso projeto: você.
Comecei a malhar e a fazer uma dieta balanceada, para que meu corpo te recebesse bem e saudável.
E nesse meio tempo, ganhamos do seu avô Artur, pai do seu pai, a Melie, uma cadelinha linda, carinhosa e super danada, que foi um acalento pro meu coração enquanto você não chegava (A Melie é incrível, filha. Você vai amá-la muito, tenho certeza!).
Dia 10 de fevereiro de 2012 (uma sexta-feira) foi a única data que consegui pro retorno à médica. Já estava certo que eu tomaria hormônios que estimulassem a ovulação, a qual não ocorreria naturalmente. Se não desse certo, partiríamos para a fertilização in vitro (tratamento caro e não coberto pelo plano de saúde).
Mas, para a nossa surpresa, no dia 06 de fevereiro (uma segunda-feira) descobri que havia um milagre em meu ventre. Você tinha sido concebida, minha filha, de forma natural! Um esperado inesperado...
Agora o meu mundo e do seu pai tinha se tornado completo e muito mais bonito!!!

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